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Rede Ethos de Jornalistas, Rádio CBN e Revista Época promovem debate sobre os impactos do consumo de bebidas alcoólicas na sociedade
Os impactos do consumo de bebidas alcoólicas na sociedade foram o tema do Debate Época-CBN-Ethos, realizado em parceria pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, por meio da Rede Ethos de Jornalistas, pela Rádio CBN e pela Revista Época, no dia 17 de novembro de 2004, no auditório da Revista Época, em São Paulo. O evento, que teve como mediador o jornalista e âncora da Rádio CBN, Rodrigo Simon, foi o terceiro de um ciclo de debates promovido pelas três organizações. Nas edições anteriores, os temas foram obesidade e transgênicos.
“O álcool é uma substância psicotrópica depressora do sistema nervoso central, que em baixa dosagem – o equivalente a duas latas de cerveja para homens e uma para mulheres, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) – causa euforia”, definiu a presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), Ana Cecília Petta Roseli Marques. Questionada por Simon sobre o impacto do álcool no indivíduo, ela respondeu que é variável. Em geral, apresenta diversos riscos, como acidentes de trânsito, suicídio e disseminação de doenças sexualmente transmissíveis, entre outros.
Para o diretor de Mídia dos Alcoólicos Anônimos (AA), Hugo Leal, o alcoolismo “vem da atávica busca pelo bem-estar”. Ele informou que de 10% a 15% das pessoas têm predisposição à dependência do álcool. O alcoólico parece ser, no início, aquele que tem maior tolerância à bebida, mas essa resistência diminui com o tempo.
“O álcool é um parceiro de viagem da humanidade, que traz riscos e, ao mesmo tempo, prazer”, comentou o diretor de Assuntos Corporativos da AmBev – Companhia de Bebidas das Américas, Milton Seligman. A empresa, que comercializa, entre outras, as marcas Brahma, Skol, Antarctica e Bohemia, procura estimular o consumo responsável de cerveja por meio de ações como, por exemplo, o programa “Peça o RG” e a campanha “Se beber não dirija”. Segundo Seligman, a responsabilidade social na AmBev tem como base seus valores: lucro; cumprimento da lei; ética; e “um compromisso cidadão” nas áreas de meio ambiente e consumo responsável – este, relacionado a princípios como beber com moderação, apenas depois dos 18 anos de idade e não ingerir álcool em situações de risco.
O editor de comportamento da Revista Época, Alexandre Mansur, perguntou a Seligman se a promoção de eventos direcionados a jovens, como o Skol Beats, não contraria a proibição da venda de cerveja para menores. Ele afirmou que não, porque a entrada desse público no evento não é permitida. Além disso, para evitar a mistura de bebida e direção, é disponibilizado transporte do evento até o metrô e o estacionamento fica aberto 24 horas, com segurança, para que os participantes possam deixar o carro mesmo quando forem embora.
Ana Cecília, da Abead, destacou que há estudos que mostram quais medidas de controle social têm melhores resultados no mundo. Algumas delas seriam o crescimento da taxação dos produtos, não veicular propagandas de bebidas alcoólicas em horários em que crianças e adolescentes as assistam e que as leis que já existem sejam cumpridas, com fiscalização – apesar de algumas serem muito antigas. “É importante que se cumpra a legislação. Não é utópico mudar a lei quando é necessário”, afirmou o gerente de políticas públicas do Instituto Ethos, Caio Magri. Ele enfatizou que um conjunto de práticas de responsabilidade social deve ser adotado por diversos públicos: público interno das empresas, fornecedores etc.
Seligman ressaltou que, no caso de cervejas, o aumento de impostos faria subir o preço para o consumidor, levando-o – especialmente o de baixa renda – a consumir bebidas com maior teor alcoólico, como cachaça – principalmente a de fabricação informal. “Não resolveria o problema social”, opinou, acrescentando que a proibição da propaganda poderia ferir a liberdade comercial e que a restrição de horário seria uma “falsa solução”. “Estudos realizados nos Estados Unidos, na Alemanha e na Inglaterra, bem como dados públicos brasileiros, demonstram que a propaganda não altera o consumo per capita de bebidas alcoólicas. Fazemos propaganda para tentar alterar a ‘divisão do bolo’, ou seja, mudar a marca da cerveja que a pessoa bebe”, disse Seligman.
O coordenador do departamento de Marketing e Pesquisa da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Ismael Rocha, acredita que ações de comunicação podem contribuir com mudanças de comportamento. Entretanto, “não é algo que caminha sozinho”. Na opinião dele, a comunicação responsável é aquela que leva valor ao consumidor, em um processo de aprendizado. “É importante não apenas dizer ‘beba com moderação’, mas também mostrar o que o álcool pode causar”, complementou Hugo Leal.
“A solução é cada um assumir sua responsabilidade e fazer sua parte”, sugeriu Seligman. “Esta mesa, como diversos outros debates, precisa da presença do governo, e que haja políticas públicas de redução de danos, não de exclusão e coerção. Uma política tributária e uma política de comunicação não têm efeito para os alcoólicos, para quem a única solução é parar de beber, mas não devem ser descartadas, uma vez que ajudam no controle do consumo de bebidas alcoólicas pela sociedade em geral”, alertou Magri. No caso dos alcoólicos, de acordo com Leal, para reduzir danos é preciso criar oportunidades de tratamento, esclarecer os profissionais de saúde sobre a doença e até mesmo estabelecer mecanismos que os obriguem a tratar-se. |
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